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terça-feira, julho 16, 2024
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Os segredos da Central de Material Esterilizado

A central de processamento e reprocessamento de artigos médico-hospitalares, ou Central de Material Esterilizado (CME), tem sido alvo de pesquisa e investimentos. O sucesso de um artigo reprocessado com qualidade depende dos procedimentos adotados neste ambiente, já que todo o material recebido neste setor deverá passar por uma redução da carga microbiana e remoção dos agentes externos que possam impedir a ação do agente esterilizante. Sabe-se, por exemplo, que as ocorrências recentes de micobactéria em todo o país se deram em parte pela falha no processo de limpeza. A prática mais antiga neste setor consistia em trabalho manual, executado por profissional relativamente treinado, mas sem grandes exigências de formação. Hoje, a simples prática de limpeza manual não permite a correta eliminação dos agentes indesejáveis, pois não elimina a sujidade em materiais mais complexos.

Para que um expurgo funcione a contento, deve ser equipado com estrutura que permita a desmontagem, limpeza plena dos artigos (inclusive com eliminação de proteínas e prevenção de formação de biofilme) e mecanismos de inspeção dos resultados obtidos. Os equipamentos mínimos a serem instalados neste setor vão depender dos materiais a serem reprocessados. Toda central que reprocessa cânulas, por exemplo, deve contar com um equipamento para limpeza por ultrassom que permita a remoção da sujidade interna destes instrumentos.

Toda central deve, ainda, possuir sistema de limpeza automatizada, para garantir a repetibilidade do reprocessamento e reduzir os riscos operacionais. As termodesinfectoras seriam, neste quesito, recursos quase que obrigatórios nas CMEs atuais. Outra vantagem da termodesinfectora é o uso do processo de redução da carga microbiana através de calor, reduzindo o uso de agentes químicos geralmente agressivos ao material e aos operadores. Dentro do conceito de fluxo, as termodesinfectoras podem representar ainda o elemento de barreira entre o expurgo e a área de preparo e embalagem.

Embalagem
A área de preparo e embalagem deve ser classificada com certo grau de contaminação por partículas que permita o adequado manuseio e preparo dos materiais que já foram limpos e tiveram sua carga microbiológica drasticamente reduzida, mas que ainda não estão estéreis. Fica nesta área a porta de saída do sistema de limpeza e desinfecção onde o material será coletado e a porta de carga dos esterilizadores. O passo intermediário entre a limpeza e a esterilização é a inspeção, montagem dos kits e sua embalagem. Tradicionalmente, a inspeção de limpeza e condições de conservação dos componentes é feita nesta área de forma visual. Com o aumento da complexidade dos materiais, no entanto, esta prática já não garantiria a segurança plena dos resultados. Uma área de inspeção bem dimensionada deve contar com lupas de inspeção, kits de verificação de resíduos orgânicos e microscópio de inspeção computadorizado para artigos onde o alcance visual não seja factível.

Nesta fase é justamente a embalagem o elemento crucial para o sucesso da manutenção da esterilidade do artigo a ser processado. As embalagens para artigos médico-hospitalares devem atender a uma série de requisitos, entre eles:  1 .Deve ser apropriada para o material.  2.Deve ser apropriada para o método de esterilização 3. Deve proporcionar selagem adequada.  4. Deve proporcionar barreira microbiana.  5. Deve ser compatível às condições físicas do processo de esterilização.  6. Deve ser resistente às condições físicas do processo de esterilização.  7. Deve permitir a adequada remoção do ar.  8. Deve permitir a penetração do agente esterilizante.  9. Deve permitir a remoção do agente esterilizante.  10. Deve proteger o conteúdo do pacote de danos físicos.   11. Deve resistir a punções. 12. Deve resistir a rasgos. 13. Deve ser livres de furos. 14. Deve ser livre de ingredientes tóxicos. 15. Não deve aerar partículas.

Os equipamentos mais utilizados nesta área são as bancadas de preparo, geralmente compostas de uma superfície ampla, suportes para as embalagens e acessórios para montagem dos pacotes. Em unidades onde se utiliza o papel grau cirúrgico ou assemelhados é comum também a existência de guilhotinas e seladoras térmicas.

Arsenal
A área de armazenagem (também conhecida como arsenal) deve ser mantida isolada das demais áreas e tem de apresentar características de sala limpa com classificação nos moldes das salas do centro cirúrgico. Especial atenção deve ser dada ao sistema de ventilação com insuflação de ar através de filtros Hepa, mantendo-se a sala sempre com pressão positiva em relação às demais áreas. Também devem ser observadas as condições de acomodação dos materiais estéreis que devem estar acondicionados em caixas ou prateleiras que promovam a correta aeração do invólucro externo. O arsenal não pode conter estruturas e materiais que venham a promover o crescimento de fungos e outros microorganismos como paredes revestidas de azulejo, prateleiras em madeira e dutos de água. Também é recomendável que a retirada dos materiais da sala não ocorra por aberturas diretas que possam comprometer o equilíbrio de pressão e classificação do ar. Uma forma adequada de controle deste fluxo é o uso das caixas de passagem com dupla porta (passthrough).

Redação – Portal Boas Práticas

 

 

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