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quinta-feira, junho 20, 2024
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CRF-SP é contra graduação na área da saúde na modalidade 100% à distância

O Ministério da Educação aprovou a abertura de mais de 274 mil vagas de ensino na modalidade 100% à distância. Em Farmácia estão ofertadas, até o momento, 9.320 vagas, distribuídas em seis instituições de São Paulo, Bahia, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Paraná. Hoje, a profissão congrega 215 mil farmacêuticos remanescentes de 529 cursos, sendo o país o que mais forma farmacêuticos no mundo, concentrando um terço do total de cursos graduação do planeta.

O Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), assim como o Conselho Federal de Farmácia (CFF) e o Conselho Nacional de Saúde (CNS), já se manifestaram contrários a essas autorizações.

O CRF-SP esclarece que a abertura dessas vagas traz risco e prejuízo à saúde do cidadão brasileiro, que será atendido por profissionais que nunca tiveram contato prévio com os serviços e a comunidade em que atuarão. A formação na área da saúde exige o contato e a vivência do futuro profissional com os pacientes. No caso da profissão farmacêutica, são necessárias, também, as aulas práticas nos laboratórios, onde se aprende o preparo e o controle de qualidade de medicamentos e outros produtos de responsabilidade desse profissional, além de análises, exames e ensaios para os quais a profissão é habilitada a realizar. Nada disso se aprende apenas com aulas teóricas em ambiente virtual.

“A abertura indiscriminada e a falta de fiscalização dos cursos de Farmácia em relação à qualidade e à ausência de estrutura mínima já resultam em inúmeros problemas, que vêm preocupando muito o CRF-SP, entidade que tem a atribuição de zelar pelo exercício do farmacêutico. Ao invés de encaminhar soluções para melhorar a situação, o MEC surge com essa novidade absurda de abertura de cursos de graduação 100% à distância, no qual o profissional é formado sem nunca ter contato com um paciente e sem entrar num laboratório. Não aceitamos isso e tomaremos todas as medidas necessárias para impedir”, afirma o presidente do CRF-SP, dr. Pedro Eduardo Menegasso.

É notório que a formação de profissionais da saúde requer conhecimentos e desenvolvimento de habilidades e atitudes que devem ser trabalhadas de forma prática e integrada. Aprender e treinar com situações reais – e não virtuais – é essencial para que o aluno seja capacitado a realizar procedimentos e tomar decisões em casos concretos.

Além disso, a formação na modalidade EAD, na sua totalidade, desconsidera a relação da qualidade da educação superior na área da saúde, com o seguro atendimento da população pelos diferentes profissionais envolvidos. As atribuições exigem formação humanística, que só é viável pela interação direta com o paciente.

O CRF-SP não é contrário a novas tecnologias, mas elas devem ser utilizadas de forma a contribuir com a sociedade. Na educação, por exemplo, o EAD é útil para cursos de atualização profissional, ou até mesmo de pós-graduação, mas jamais deve substituir o ensino presencial, principalmente quando se trata de formação de profissionais que terão a responsabilidade de cuidar de vidas.

Sobre o CRF-SP

Entidade responsável pela fiscalização e habilitação legal do farmacêutico para o exercício de suas atividades no estado, o CRF-SP tem como missão ser referência na orientação, fiscalização e desenvolvimento do farmacêutico para o ético exercício da profissão e garantir atendimento confiável e de qualidade à sociedade.

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