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segunda-feira, maio 27, 2024
Cadeia do Frio e LogísticaNotícias

Metodologia de Maturidade em Cadeia de Suprimentos aplicado em empresa de biotecnologia

O mercado mundial, assim como o brasileiro, é dominado por grandes empresas multinacionais. Muitas destas são grandes farmacêuticas que tiveram, nos últimos anos, uma redução significativa de suas receitas após a perda de patentes e o aumento dos produtos genéricos. Essas corporações estão investindo em biotecnologia na busca de recuperar uma parcela do que foi perdido. A minimização dos riscos e a concentração em investimentos em P&D fazem dessas empresas grandes empresas de biotecnologia que atuam em diversas cadeias de suprimentos com biotecnologia, voltados para os segmentos de Life Sciences, Health Care.

Entre as maiores, destacam-se Amgen, Gilead, Merck KGaA e Roche Holding AG, segundo relatório de análise da indústria de biotecnologia feito pela Ibisworld (2015). Juntas, essas empresas obtiveram um faturamento de US$ 312 bilhões, 2015, o que correspondem por 32% da receita do mercado mundial, o que mostra que não há uma concentração de market share. Outras empresas, como Novo Nordisk, Teva Pharmaceutical Industries, Regeneron, Alkerme e Cubist Pharmaceuticals podem ser consideradas empresas-chave nesse mercado.

De acordo com o relatório da empresa de consultoria Deloitte (2016) as vendas no segmento do setor de biotecnologia nos segmentos de Life Sciences e Health Care devem chegar a US$ 1,4 trilhão até 2019. O envelhecimento da população e o aumento das doenças crônicas contribui para o crescimento a longo prazo.

O relatório apresentado pela empresa de consultoria Deloitte (2014) com as previsões para o ano de 2020 do setor de biotecnologia nos segmentos de Life Sciences e Health Care apontam um cenário de grande evolução que irá exigir das empresas um nível de maturidade elevado para poder atender a todas as demandas sem correr o risco de perder mercado e chegar ao extremo de ser fechada ou comprada por outra empresa, dinâmica comum nesse segmento de acordo com EY (2013).

De acordo com a previsão da Deloitte (2014) as mudanças para 2020 vão trazer os seguintes cenários para a gestão de cadeia de suprimentos: excesso de estoque, produção ou dificuldades de distribuição e planejamento devido a reclamação de clientes na internet; o uso de ferramentas de análise para big data, transformando dados em estratégias, a serialização em massa possibilitando o rastreamento de ponta a ponta da cadeia; o surgimento de oportunidades de melhorar as boas práticas de distribuição; as inspeções baseadas em riscos e auditorias compartilhadas; a expansão dos modelos de administração que requerem formas de dosagem entre complexidade de tecnologia de fabricação e cadeias de suprimentos; descentralização das cadeias de suprimentos e o uso de torres de controle global e regional, com eficiência e visibilidade de ponta a ponta da cadeia.

E ainda: novos modelos de cadeias de suprimentos de alcance global com relevância local e habilidades de produção e entrega mais efetiva e rápida; cadeias de abastecimentos de baixo custo; segmentação das cadeias únicas por múltiplas cadeias de suprimentos; a capacitação das lacunas de competências das equipes locais desenvolvendo novas habilidades, equipes talentosas e sustentáveis e constante aprendizado; transformação de cadeias reativas a proativas; aplicação do modelo IT-driven model nas cadeias de suprimentos.

A cadeia de suprimentos é um facilitador estratégico, e as empresas que perceberem a importância de adotar uma abordagem integrada madura e focada serão capazes de liderar as mudanças, a jornada de transformação de uma empresa em uma cadeia de suprimentos integrada, que será moldada pelo desempenho interno e pelo ambiente externo. Esta jornada, como qualquer outra, deve começar com a compreensão do ponto de partida, ou seja, o nível de maturidade, pois só então será possível mapear os passos necessários para a transformação em uma empresa madura em cadeia de suprimentos.

Os modelos de maturidade desenvolvidos em gestão da cadeia de suprimentos procuram dar luz sobre as operações interna e externas das empresas, revelando os pontos críticos da cadeia, como as oportunidades de integração para redução da complexidade das empresas.

Foram identificados que ações pontuais ou melhorias especificas poderiam entrar em conflito com outras melhorias, não sendo considerado o trade-off, uma vez que as ações podem afetar o custo total e o desempenho total da cadeia. Para implantar uma visão global e integrada foi usada a metodologia do modelo de Frederico (2012)  sobre Maturidade em Cadeias de Suprimentos (figura 1).  O modelo de Maturidade tem como objetivo identificar de forma qualitativa o estado ou nível em que se encontra um processo ou uma empresa.

Figura 1
Figura 2

O modelo de Frederico é o modelo mais completo até o momento. Ele identifica e agrupa os pontos-chave que devem ser desenvolvidos de um estágio inicial para um estágio avançado. Outra caraterística desse modelo é a identificação de oportunidades de melhoria nas onze dimensões do modelo

Apresentado resultados significativos de redução de custo na ordem de 3,1%, conforme figura 2.

Outros indicadores também mostraram grande evolução. O nível de serviço foi de 85% para 98%. O KPI de acurácia que estava em 92% foi para 98%.

Em 2015, o Instituto de Biologia Molecular do Paraná recebeu da Infraero o Prêmio de Eficiência Logística na categoria Exportação, mostrando a aplicação da metodologia e as mudanças de processo, que foram reconhecidas também em 2016 , em que ficou em 3°lugar do Prêmio Mundo Logística – Caso de sucesso 2016. Assim, consideramos uma inovação o uso do modelo de maturidade em cadeia de suprimentos, o que gerou um plano de ação com mudanças de processos, comportamentos, produzindo resultados significativos para organização.

O Instituto está conectado com as melhores práticas de logística e suprimentos, o que contribui para o segmento de pesquisa e inovação do setor de saúde do Brasil.Estamos em constante busca por conhecimento, novas práticas, novas soluções que agreguem valor para a organização e fortaleça a visão e missão do Instituto.

Referências

DELLOITE.,(2014). Deloitte’s Healthcare and Life Sciences Predictions 2020. UK. Retrieved from: https://deloitte-uk-healthcare-life-sciences-predictions-2020-supply-chain. .Acesso em: 14 de Novembro de 2016

DELLOITE., (2016). Global life sciences outlook Moving forward with cautious optimism. Retrieved from: https://www2.deloitte.com. Acesso em: 14 de Novembro de 2016

  1. The global biotechnology industry rebounded strongly in 2013. Public companies achieved double digit revenue growth and there was a sharp rise in funds raised. Product successes have boosted revenues, drawn investors and motivated large companies to invest strongly in R&D .Disponível em:< http://www.ey.com/GL/en/Industries/Life-Sciences/EY-beyond-borders-unlocking-value >.Acesso em: 14 de Novembro de 2016

FREDERICO, GUILHERME FRANCISCO; MARTINS, ROBERTO ANTÔNIO. Modelo para alinhamento entre a maturidade dos sistemas de medição de desempenho e a maturidade da gestão da cadeia de suprimentos: Tese de (Doutorado em Engenharia da Produção) Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, 2012. Disponível em http://www.bdtd.ufscar.br/htdocs/tedeSimplificado//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=4886 .Acesso em: 14 de Novembro de 2016

IBISWORLD.Global Biotechnology: Market Research Report.Disponível em:< http://www.ibisworld.com/industry/global/global-biotechnology.html >. Acesso em: 31 Dezembro de 2015.

ROQUE JUNIOR, L. ; FREDERICO, G. F. . Supply Chain Management Maturity; A Case Study on a Biotechnology Organization. In: 27th POMS – Production and Operations Management Society Annual Conference, 2016, Orlando – USA. .Acesso em: 14 de Novembro de 2016

REVISTA Mundo Logística – Programa de Excelência em Logística.​pag-40 a 43 N°54 ano IX setembro & Outubro de 2016 Editora MAG

Autores:

Luiz Carlos Roque Junior
Especialista em Logística com mais de 11 anos de experiência em gestão logística e operações, formado em Logística pelo Centro Universitário Internacional UNINTER, com especialização em Engenharia em Logística e Operações Lean pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Engenharia de Produção pelo Centro Universitário Internacional UNINTER e MBA em Gerência de Sistemas Logísticos pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atuou como professor em Curso Técnico de Logística. Atualmente é Supervisor de Logística no Instituto de Biologia Molecular do Paraná – IBMP.
Maykon Luiz Nascimento Costa
Especialista em Gestão da Produção com mais de 18 anos de experiência na área de logística, suprimentos e engenharia, bacharel em Ciências Econômicas pela Faculdade de Administração e Economia (FAE), mestrando em Engenharia Biomédica pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Gestão da Produção a nível de especialização pelo Centro Universitário Franciscano (UNIFAE) e Especialização MBA em Gestão Estratégica de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV). Atualmente é Gerente Executivo de Operações no Instituto de Biologia Molecular do Paraná – IBMP.

 

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