fbpx
quinta-feira, abril 25, 2024
DestaqueEntrevista

Nutrição enteral: aplicações e cuidados

O Portal Boas Práticas publica entrevista realizada com Andrea Pereira, nutricionista especialista do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da TAN-GAN, empresa especialista em Terapia Nutricional. Ela fala sobre nutrição enteral, suas aplicações e cuidados.

A TAN-GAN realiza análises microbiológicas na Baktron.  A Baktron realiza análises microbiológicas de Nutrição Enteral para atendimento das exigências de qualidade determinadas pela RDC/63/2000 – ANVISA, bem como de Fórmulas Lácteas  para atendimento das exigências de qualidade determinadas pela Resolução RDC 12/2001 – ANVISA, além de prestar serviços de validação de processos a fim de garantir a segurança microbiológica do processo de manipulação.

Confira.

Qual seu perfil profissional?

Graduação em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1995), Pós graduação em Nutrição Clínica pela Universidade Gama Filho em 1997 e em Terapia Nutricional Enteral e Parenteral pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro em 2000. Mestre em Ciências médicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2009). Foi Nutricionista Responsável Técnica da Unidade Centralizada de produção de Dietas enterais e fórmulas infantis da RN Center Produtos e Serviços Farmacêuticos Ltda – Nutriente de 1999 a 2012 e Gerente de projetos na mesma empresa de 2004 a 2012. Tem grande experiência em processo de novas tecnologias e controle de qualidade em área classificadas assim como em Pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e serviços. Trabalhou em dois projetos contemplados por órgãos de fomento em linhas de Inovação de Tecnológica de novos produtos e serviços. Recebeu o prêmio Finep e o Prêmio Shell na Categoria de produto Inovador com projetos desenvolvidos. Atualmente Nutricionista Especialista do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa TNC-GAN- Terapia Nutricional e Comercio Ltda, implantando novas metodologias de controle microbiológico de processo com artigo publicado na revista de Segurança Alimentar e Nutricional da Unicamp – http://www.unicamp.br/nepa/san.php?pag=san-detalhe.php&pub=san&id=1&itm=5. E entre 2013 e 2014 na estruturação e implantação da nova área de produção da empresa.

nutri3Você poderia nos detalhar o que é uma alimentação enteral e quais seus objetivos?

Segundo a RDC 63 de julho de 2000 que regulamenta a prática da terapia nutricional no Brasil, nutrição enteral consiste em: “alimento para fins especiais, com ingestão controlada de nutrientes, na forma isolada ou combinada, de composição definida ou estimada, especialmente formulada e elaborada para uso por sondas ou via oral, industrializado ou não, utilizada exclusiva ou parcialmente para substituir ou complementar a alimentação oral em pacientes desnutridos ou não, conforme suas necessidades nutricionais, em regime hospitalar, ambulatorial ou domiciliar, visando à síntese ou manutenção dos tecidos, órgãos ou sistemas.”. As fórmulas enterais, aquelas veiculadas pelo trato digestivo, são indicadas para corrigir de um déficit entre a oferta (ingestão calórica) e o gasto energético se mantidos por pelo menos de 3 dias. As indicações para o início da dieta enteral podem se originar de uma dificuldade na ingestão da dieta por redução do nível de consciência (sedação), pela presença de disfagia secundária ao AVC, ou transtornos alimentares vide bulimia e anorexia nervosa. Outra indicação seria pela presença de cirurgias no trato gastrointestinal alto quando poderia se ofertar o alimento além do seguimento operado. Por fim estados consumptivos crônicos como caquexia oncológica também seria indicativo de Terapia Nutricional. Na impossibilidade de se utilizar a via digestiva para a oferta de nutrientes total ou parcialmente se indica a nutrição parenteral total ou suplementar (via venosa).

nutri1Quais são os profissionais envolvidos no desenvolvimento e preparação de uma nutrição enteral?

A prática da nutrição enteral tem duas vertentes importantes de trabalho: A primeira consiste na necessidade de uma equipe multiprofissional formada por médico, nutricionista, enfermeiro e farmacêutico na indicação, prescrição, administração e monitoramento do paciente em tratamento a nível hospitalar, domiciliar ou em instituições de longa permanência.  A segunda relacionada ao preparo da dieta em uma Unidade de Alimentação e Nutrição, estruturada de acordo com as normas vigentes, na própria unidade hospitalar ou em uma empresa especializada, como por exemplo, a que trabalho atualmente.  Aqui no Estado do Rio de Janeiro o TNC-GAN é a única empresa que agrega ambas as vertentes, visto que ela possui equipe de atendimento Multiprofissional alocadas em vários hospitais, home-cares, ILPIs e em nível domiciliar na supervisão clínica e nutricional destes pacientes. Além disso, em sua sede dispõe de área de manipulação própria em funcionamento de segunda a segunda, adequadas as normas vigentes da ANVISA, onde se produzem dietas enterais manipuladas, fórmulas lácteas e infantis para erro metabólico e ainda sachês com suplementos nutricionais específicos como anabolizantes, mix de vitaminas e minerais, suplementos hipoalergênicos entre outros.

Quais são os critérios utilizados para seleção de fórmulas enterais?

A seleção de fórmulas enterais considera inicialmente a capacidade absortiva do TGI, quando plena indica-se fórmulas poliméricas (PTN inteira) e quando prejudicada fórmulas oligoméricas (peptídeos e TCM). Outro aspecto é a condição clínica do paciente onde as dietas são customizadas para evitar agravamento de uma falência orgânica específica ou para recuperação deste órgão ou sistema, exemplos: restrição de potássio para nefropatas, dieta imunomoduladora para imunossuprimidos ou oncológicos em pré-operatório, suplementos cicatrizantes na presença de úlcera de pressão, dieta pobre em carbohidratos para diabéticos e etc…

Qual a legislação utilizada para boas práticas de manipulação de nutrição enteral?

No que tange ao preparo das formulações, as legislações básicas preconizadas pela ANVISA são RDC 63 de julho de 2000 e a 12 de janeiro de 2001. Entretanto, para que se tenha um serviço adequado é necessária a associação com outros compêndios e/ou referências como Manual da ANVISA sobre Assepsia e Anti-sepsia; RDC 50 que fala sobre estrutura de área física; Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT NBR ISO 14644-1 Norma Brasileira) que determina diretrizes para salas limpas e ambientes controlados associados de 2005; USP Pharmacopeia de 2007 dentre outras.

Quais os pontos críticos que devem ser monitorados durante a produção de nutrição enteral?

Hoje os pontos mais críticos num lactário ou unidade de produção, como preferir consiste em: água de preparo das formulações, manipulador do produto e o recipiente de preparo, que normalmente são liquidificadores.

 Como vocês fazem o controle de qualidade do processo de manipulação de nutrição enteral? Por que é tão importante?

Através de análises microbiológicas visando controle de sepsia e anti-sepsia do processo produtivo previamente validado. Isto representa swab de superfícies e mãos dos colaboradores, controle de água de consumo dentre outros.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

shares
×