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sábado, junho 15, 2024
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Hypermarcas quer retorno ao acionista e expansão orgânica

A Hypermarcas acaba de coroar sua transformação em companhia puramente farmacêutica, com estrutura administrativa e de capital ajustadas a esse perfil. E, depois de concluir a venda de ativos não estratégicos, com o recebimento de cerca de R$ 1 bilhão pelo negócio de produtos descartáveis há poucos dias, segue dividindo ganhos com os acionistas, numa clara indicação de que o foco atual é crescimento orgânico.

“O foco é crescimento orgânico com retorno de capital ao acionista”, disse ao Valor o presidente Claudio Bergamo. Na quarta-feira à noite, entre outras novidades, a Hypermarcas anunciou que vai propor em assembleia uma redução de capital de cerca de R$ 822 milhões, sem cancelamento de ações e com pagamento de R$ 1,30 por papel a título de restituição.

Em 2016, a companhia já havia pago R$ 0,50 por ação, ou R$ 316,2 milhões. Neste ano, o valor sobe 30%, para R$ 0,65 por papel, considerando-se R$ 378 milhões pagos em 24 de fevereiro (R$ 0,60 por ação) mais um dividendo adicional de R$ 31,8 milhões (R$ 0,05/ ação). O BTG Pactual calcula que os dividendos de 2017 mais a restituição a ser paga aos acionistas levam a 7,2% o retorno (“yield”).

“Se somados os dividendos de R$ 0,65 por ação, R$ 1,30 por ação da redução de capital e a recompra de ações, o retorno neste ano chega a R$ 1,5 bilhão. É um valor bastante material no Brasil de hoje”, afirmou. Por esse cálculo, o “yield” se aproxima de 9%, considerando-se o preço da ação na faixa atual, de pouco mais R$ 27.

A decisão de redução do capital se deve ao ganho de musculatura do caixa com a venda do negócio de cosméticos em 2015, por R$ 3,8 bilhões, para a Coty; da divisão de preservativos, por R$ 675 milhões, para a Reckitt Benckiser no ano passado; e por fim a área de descartáveis para a Ontex Group, concluída na segunda-feira. Em dezembro, a companhia tinha caixa líquido de R$ 792 milhões. Hoje, considerando-se o R$ 1 bilhão recebido há poucos dias, a posição se aproxima de R$ 1,8 bilhão (pró-forma).

Para os analistas Guilherme Assis e Felipe Cassimiro, do banco Brasil Plural, o anúncio de quarta-feira reforça a percepção de que a companhia assumiu um caminho focado em crescimento orgânico, deixando no passado a estratégia de fusões e aquisições.

Além da redução de capital, a Hypermarcas anunciou um novo programa de recompra, já aberto, que pode englobar até 10 milhões de ações ordinárias, ou até 2,6% do total de papéis em circulação (cerca de 386 milhões). No BTG Pactual, os analistas Fábio Monteiro e Luiz Guanais lembram que a redução de capital e o programa de recompra já eram esperados, após as vendas de ativos terem levado quase R$ 5,5 bilhões para dentro da companhia.

Analistas que acompanham o setor já vinham indicando que a empresa poderia propor uma nova rodada de pagamento de dividendos, diante da elevada liquidez. A expectativa cresceu depois de o presidente afirmar, em teleconferência de resultados, que a necessidade da companhia em termos de caixa líquido é de até R$ 500 milhões, bem abaixo da posição atual, uma vez que é forte geradora de recursos.

A Hypermarcas também apresentou sua nova estrutura organizacional – as primeiras alterações, como a organização de três unidades de negócio (Branded Prescription, Consumer Health e Branded Generics), já eram conhecidas. Com a organização das áreas de marketing e vendas nas três unidades de negócios, que se reportam diretamente à presidência, foi eliminada a posição de diretor-presidente da divisão Farma. Luiz Eduardo Violland, que respondia pela área, assume o posto de diretor-geral de operações.

Na nova estrutura, Breno Toledo Pires de Oliveira, que já respondia pela área de relações com investidores, substitui na diretoria financeira o executivo Martim Prado Mattos, que após 12 anos sai da companhia “para diversificação de sua carreira profissional”. A companhia criou ainda o cargo de diretor jurídico e de compliance, com vistas a fortalecer a governança corporativa.

Conforme Bergamo, com esses anúncios, a Hypermarcas conclui o trabalho de reestruturação organizacional iniciado há cerca de um ano. A Violland, explicou, coube um dos principais postos na empresa, responsável pela estratégia de inovação das marcas. “Vamos investir principalmente em inovação. É o topo da agenda”, comentou o executivo. Para analistas, a nomeação de Violland, com 30 anos de experiência na indústria farmacêutica, evidencia o “foco total” da companhia nessa atividade.

A meta é lançar produtos nas três divisões (Consumer Health, Branded Prescription e Branded Generics) e trabalhar o potencial ainda não explorado daqueles que não chegaram à maturidade. A Hypermarcas tem um portfólio (pipeline) para lançar nos próximos dois ou três anos e já está trabalhando no desenvolvimento de produtos que serão colocados no mercado em cinco ou mais anos, disse Bergamo. O novo centro de inovação, acrescentou, deve ser inaugurado no segundo trimestre.

A companhia também está investindo na busca de novas tecnologias e produtos disponíveis no mercado internacional que possam ser trazidos ao país. “O maior desafio é a capacidade de execução do nosso plano, levar a cabo o crescimento orgânico com investimento em inovação”, afirmou.

Fonte: Valor Econômico

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