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quinta-feira, junho 20, 2024
Controle de pragas

Medidas preventivas para o controle de pombos

Os pombos são aves pertencentes ao gênero Columba, que contam com mais de 50 espécies distribuídas no mundo todo. O pombo doméstico Columba livia domestica é o mais conhecido, pois apresenta íntima associação com o homem, nos diversos ambientes.

O pombo doméstico originou-se por cruzamentos seletivos a partir da espécie selvagem, conhecida por pombo de rochas (Columba livia livia). A espécie selvagem ocorre na Europa mediterrânea e norte da África. Enquanto as outras espécies de pombos habitam preferencialmente árvores e arbustos, esta espécie prefere buracos e beirais de penhascos e desfiladeiros.

Foram trazidos ao Brasil pela família real portuguesa em meados do século XVI. Na área urbana se adaptaram facilmente às condições das nossas edificações, lembrando os beirais de penhascos e desfiladeiros de seu habitat original.

Biologia
Os pombos domésticos têm comportamento gregário, se alimentando em grupos, preferencialmente de grãos e farelos. Mas no ambiente urbano encontraram farta oferta de alimentos. Devido à sua grande capacidade de variação alimentar, fazem parte de sua dieta cascas de frutas, queijo, legumes, etc.

O ciclo reprodutivo é dependente da oferta de alimento disponível. Sendo assim, no meio urbano é observada a reprodução dessas aves durante o ano todo, exceto na época de muda das penas, antes do inverno. As fêmeas colocam de 1 a 2 ovos por ninhada e podem ter de 5 a 6 ninhadas por ano. Os filhotes são alimentados com uma secreção do papo cuja composição é semelhante ao leite, sendo por isso chamada “leite de pombo”. Tem comportamento monogâmico.

Os pombos podem viver por 3 a 5 anos nas cidades, e em condições silvestres até 15 anos.

Saúde pública
A alta concentração de pombos em áreas urbanas tornou-se um problema de saúde pública. O acúmulo de fezes depositadas em edificações, calçadas, monumentos, torna sua limpeza uma tarefa de risco para pessoas leigas ou despreparadas, pois podem vincular uma série de doenças. Pelo menos 57 delas já foram descritas, entre as quais a salmonelose, toxoplasmose, histoplasmose e criptococose. A maioria das zoonoses é causada pelo contato com as fezes, mas podem ser originadas do contato com as penas ou de aves doentes, como piolhos e ácaros.

Os pombos também podem causar adulterações ou contaminações de alimentos, através da deposição de suas penas ou outros dejetos sobre alimentos crus ou já embalados. Há o risco também da contaminação da água pelas fezes depositadas próximas dos reservatórios de água com vedação deficiente.

Além desses problemas, a presença de pombos nas edificações pode causar alguns transtornos, como por exemplo:

  • Presença de ninhos em hospitais ou pronto-socorros podem causar entupimento dos sistemas de drenagem ou dispersão de micro fragmentos de fezes secas com  agentes patogênicos para o interior desses estabelecimentos.
  • A atividade dos pombos próxima de pontos de ar condicionado pode permitir a dispersão de microorganismos provenientes de suas fezes ou penas para o interior das edificações.
  • Entupimento de calhas e infiltrações nos forros.
  • Graças à acidez de suas fezes, podem causar danos às estruturas de alvenaria ou em peças metálicas, como em carros, por exemplo.
  • Acúmulo de fezes em locais como bancos de praças, parques infantis e bebedouros de uso público.
  • Alteração no sistema de comunicação quando há acúmulo de fezes em torres de retransmissão.

Controle
Existem várias propostas para se obter um controle efetivo das infestações de pombos no ambiente urbano, mas infelizmente tem-se observado algumas que apresentam pouca eficiência a médio ou longo prazo. O sacrifício das aves nunca foi recomendável, por se tratar de crime de crueldade, de acordo com a legislação ambiental. Além disso, a população se recompõe, graças à farta disponibilidade de alimento e número de posturas por ano. O uso de anticoncepcionais também não é recomendável, pelo alto custo e pelo risco de consumo por espécies nativas, acarretando um desequilíbrio ecológico no ambiente.

Para cada edificação, é necessária a vistoria de um técnico especializado de uma empresa de controle de pragas devidamente registrada. Através da análise da edificação, serão recomendadas alterações construtivas para dificultar ou impedir o acesso dos pombos no local. Os vãos na estrutura, parapeitos, varandas, aberturas nas telhas, marquises e beirais, terraços, são locais que podem ser usados como abrigos ou para construção de ninhos. Nestes pontos, a utilização de barreiras físicas será necessária para coibir a utilização. Assim, fios de nylon, espículas, redes e outras formas de barreiras podem ser empregadas nesse sentido.

Além disso, tão importante quanto o uso das barreiras físicas é a limitação às fontes de alimento. Como o ciclo reprodutivo é regulado pela oferta de alimentos, será de fundamental importância a diminuição dessa oferta, seja por um melhor condicionamento do lixo, das fontes de alimento disponíveis, seja através da orientação das pessoas para não alimentarem os pombos.

É necessário também o envolvimento do poder público para conscientizar a população da importância da mudança de hábitos. As pessoas alimentam os pombos pelo desconhecimento dos riscos do aumento populacional e de disseminação das doenças associadas à presença dos pombos. Desse modo, teremos sucesso com resultados abrangentes e a longo prazo.

Bibliografia
MONTENEGRO NETO, H., NUNES, V. F. P. A Problemática dos Pombos em áreas Urbanas. Revista Vetores e Pragas, ABCVP, Rio de Janeiro, ano I, nº 3, p. 11 – 14.

NEWLANDS, L. Plano Encaminhado à Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro Pode Tirar os Pombos das Ruas. Revista Vetores e Pragas, ABCVP, Rio de Janeiro, ano II, nº 5, p. 2 – 4.

NORONHA, M. L. M. A Difícil Convivência com os Pombos Urbanos. Revista Vetores e Pragas, ABCVP, Rio de Janeiro, ano IV, nº 11, p. 26 – 32.

SCHULLER, M. Pombos Urbanos – Um Caso de Saúde Pública. Revista Vetores e Pragas, ABCVP, Rio de Janeiro, ano VII, nº 15, p. 5 – 12.

ZORZENON, F.J., JUSTI JR., J. Manual Ilustrado de Pragas Urbanas. 1ª. Ed. Instituto Biológico, 2006. pg. 137.

Francisco Andrade do Carmo Junior – biólogo, técnico responsável da Tecnomad

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