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quinta-feira, abril 25, 2024
HVACOpinião

Como evitar a infecção hospitalar causada pelo ar condicionado

Por Alexandre Alberico
Por Alexandre Alberico

A preocupação com sistemas de ar condicionado seguros e de fácil manutenção devem estar entre as prioridades dos investimentos para o controle das infecções hospitalares.

A alta vazão de ar exigida nos leitos e o excesso de gotejamento na bandeja do sistema (e a consequente propagação de micro-organismos), quando aliados às bactérias transmitidas em forma de tosse ou espirro, podem transformar o quarto do hospital num local altamente propenso à infecção por vias aéreas. A bandeja, especialmente, é tida como a principal fonte de multiplicação microbiana, por formar biofilme e desencadear a cadeia de transmissão.

Assim como a Legionella, os sistemas de ar condicionado podem albergar outras bactérias, vírus e fungos que são capazes de sobreviver em ambientes secos por longos períodos. É o caso, por exemplo, de micro-organismos como Bacillussp, Flavobacteriumsp, Pseudomonasaeruginosa, Staphylococcusoneumoniae, Actinomycessp, Paracoccidioidessp, Apergillussp, Penecilliumsp, Cladosporiumsp, Fusariumsp, vírus da influenza e sincicial respiratório.

Além de um projeto muito bem delineado que esteja em conformidade com as normas da Anvisa, ABNT e internacionais, os sistemas de ar condicionado convencionais requerem uma manutenção periódica detalhada nos dutos, filtros, serpentinas, bandejas de gotejamento e demais componentes.

Ocorre que nem sempre a manutenção é feita da maneira desejada. Com a alta rotatividade nos leitos, é comum que as empresas e os profissionais responsáveis pela manutenção não tenham o tempo suficiente para higienizar o sistema.

Afinal, é necessário mais do que meio período diário para fazer a higienização severa e correta entre a saída de um paciente e a entrada de outro que ocupará o seu lugar e respirará o mesmo ar onde as suas bactérias foram despejadas pelas vias aéreas.

A falta de mão de obra especializada nessa área é outro fator que pode prejudicar a manutenção e, consequentemente, reduzir a qualidade do ar interior no ambiente hospitalar.

Fugindo das armadilhas dos sistemas convencionais

Uma das medidas que vêm ganhando força mundo afora para combater a infecção hospitalar causadas pelo ar condicionado é a adoção dos sistemas por radiação, conhecidos como Teto Radiante.

Por não necessitar de aparelho fancoil dentro do quarto de internação, o sistema elimina a necessidade da banheira de captação do gotejamento de água, onde frequentemente se encontra o agente Leggionela sp.

Com isso, deixa de ser exigida também a manutenção desse componente e seus aparatos (drenos, tubos de ligação ao esgoto etc.), que trazem consigo a necessidade de operações severas e demoradas.

A remoção do calor sensível do ambiente, grande parte efetuada pelas placas do forro, permite ainda baixar a vazão de insuflação de ar a níveis próximos da quantidade de ar exterior recomendado e obrigatoriamente injetado.

Ou seja, 100% do ar utilizado é externo. Devidamente transitado através de baterias de filtros, este  fluxo de ar apresenta a inexistência de agentes biológicos que, por sua vez, podem ser encontrados no ar de recirculação (ar de retorno) dos sistemas convencionais.

Quem usa o sistema de teto radiante?

Hospitais como o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (SP) já utilizam essa tecnologia. Fora do Brasil, ela é ainda mais comum e está presente no BurgDorf Regional Hospital (Suíça), Hamburg Center Neurobiologie (Alemanha), Hohenems Hospital (Áustria) e Hospital Carl Hayden(Estados Unidos), dentre outros.

Alexandre Alberico é engenheiro especialista em projetos de climatização, sócio-fundador da Cebetec (www.cebetec-sp.com.br) e consultor da Planenrac (www.planenrac.com.br)

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