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quinta-feira, maio 23, 2024
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Entrevista: engenheiro fala sobre manutenção de sistemas de ar condicionado hospitalar

O Portal Boas Práticas publica entrevista com o engenheiro químico André Luis Roque da Silva, responsável técnico pelas atividades relacionadas à qualidade do ar de interiores em ambientes climatizados artificialmente e tratamento químico das águas de sistemas de climatização dos clientes da Gruçaí Construtora.

A Gruçaí é uma empresa de engenharia com registro no CREA/RJ e CRQ – 3ª Região que atua em vários ramos de atividade, como Engenharia Civil, Elétrica, Mecânica, Eletrônica e Química entre outros. Há mais de 20 anos no mercado, possui como objeto social a prestação de serviços em construção civil, projetos, assessoria, planejamento, manutenção predial, manutenção e operação de sistemas de ar condicionado central, caldeiras, etc…

Confira.

André luis
André Luis Roque da Silva

Sua empresa é responsável pela manutenção de sistemas de ar condicionado de vários hospitais. O que existe de diferente em sistemas de condicionamento de ar para hospitais, comparado aos sistemas de condicionamento tradicionais?

A diferença fundamental consiste em considerar nos requisitos para o projeto dos sistemas hospitalares de ar condicionado, o nível de risco de infecção a que os ocupantes dos ambientes internos climatizados de uso restrito estão expostos em relação ao ar interior. Como os ambientes dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS) possuem níveis críticos diferenciados, as situações a controlar implicam em exigências diferenciadas em relação aos parâmetros de projeto (temperatura; umidade relativa; filtragem mínima, entre outros) que devem obedecer a normas e regulamentos específicos, as quais não se aplicam às instalações de uso publico e coletivo.

A Gruçaí, já há muitos anos, utiliza os serviços de análise de ar interior da Baktron para avaliação da qualidade do ar nos hospitais, cuja manutenção dos sistemas de ar condicionado é de sua responsabilidade. Qual a importância de se fazer rotineiramente esta avaliação?

Na realidade, a responsabilidade técnica sobre a manutenção dos sistemas de ar condicionado cabe ao engenheiro mecânico. Este profissional, de acordo com a determinação da Portaria nº 3.523 de ago/1998 do Ministério da Saúde, deve implantar e manter disponível no imóvel um Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC) que entre outras obrigações contenha a descrição das atividades executadas e a periodicidade das mesmas. Ao engenheiro químico compete, através da interpretação dos laudos sobre qualidade do ar interior, relacionar uma eventual Não-Conformidade ao componente do sistema onde possa estar localizada a origem do resultado insatisfatório. A equipe então é orientada a atuar, considerando o enfoque higiênico-sanitário, de modo a levar o referencial analítico em questão às condições de normalidade segundo a norma técnica pertinente.  A avaliação da qualidade do ar fazendo parte da rotina de trabalho, além de atender a legislação vigente, permite o acompanhamento criterioso do tratamento do ar interno e aponta qualquer ajuste que se faça necessário nas ações executadas no PMOC.

Normalmente, quais são as principais reclamações de usuários no sistema hospitalar?

Neste aspecto, pode-se dizer que as queixas dos ocupantes dos ambientes internos climatizados se concentram principalmente no controle das condições termo-higrométricas de conforto. Isto ocorre tanto em recintos restritos quanto os de uso público e coletivo. Como a percepção destas condições depende da susceptibilidade dos usuários, é comum no mesmo setor, por exemplo, ouvir reclamações sobre sensação de frio ou calor ou de desconforto nas vias respiratórias, como ressecamento, de pessoas submetidas às mesmas circunstâncias ambientais. A solução encontrada consiste em manter a operação do sistema de acordo com as recomendações normativas e fornecer as informações aos interessados sobre a faixa de variação do parâmetro associado ao caso específico reclamado.

Em que tipo de ambientes hospitalares é feita a avaliação do ar interior?

Todos os ambientes hospitalares com sistemas de climatização de capacidade iguais ou superiores a 5,0 Toneladas de refrigeração (TR), equivalente a 60.000 BTU/h, são passíveis de avaliação. Seguindo recomendação da Resolução – RE nº9/2003 da ANVISA, orientação técnica sobre padrões referenciais de qualidade do ar interior em ambientes públicos e coletivos, o número mínimo de amostras para os ambientes não relacionados diretamente aos serviços assistenciais deve ser determinado considerando a área climatizada construída por estratégia de amostragem de acordo com tabela exibida no próprio documento. As unidades funcionais com características epidemiológicas diferenciadas devem ser avaliadas isoladamente.

 Qual a periodicidade desta avaliação?

Segundo a Resolução – RE nº9/2003 da ANVISA a periodicidade especificada em todas as normas técnicas deve ser semestral. Em caso de Não-Conformidade relacionada a qualquer padrão referencial, este parâmetro analítico é usado como sentinela em busca das fontes poluentes ou intervenções ambientais. Uma vez executada a medida corretiva recomendada, a sua requerida eficácia deve ser verificada através de imediata análise físico-química e microbiológica do ar ambiental interior.

 Os resultados dos laudos apresentados são de alguma forma, utilizados para o direcionamento da manutenção ou para algum tipo de tomada de decisão com relação à manutenção dos sistemas de ar condicionado?

Para que um sistema de tratamento de ar não represente risco de agravo à saúde dos ocupantes dos ambientes internos climatizados, todas as etapas que envolvem esta solução desde o projeto, passando por sua execução e operação até a manutenção, devem ser cuidadosamente levadas a efeito. A análise microbiológica e físico-química do ar ambiental interior devido à variedade de parâmetros a serem analisados, permite a identificação de falhas em cada uma das etapas citadas, possibilitando assim, processos de controle eficientes ou revisão do projeto original no que se referem, por exemplo, à filtragem, controle de fluxos e renovação de ar; intervenções que não se limitam apenas às atividades de manutenção propriamente ditas. Esta abrangência no escopo é fundamental nos EAS, para que os pacientes com mecanismos de defesa comprometidos possam ter o sistema de climatização como aliado em seus processos de recuperação da saúde.

Você poderia citar alguma situação específica?

Após avaliação da qualidade do ar conforme Resolução – RE nº9/2003 da ANVISA de setor considerado com nível de risco elevado em um hospital de referência, verificou-se pelos laudos apresentados que Não-Conformidades foram encontradas para os parâmetros microbiológicos e químicos. Neste caso específico, uma observação sobre o sistema de climatização se faz necessária: quando se deu o diagnóstico de situação, o equipamento central de ar condicionado encontrava-se desligado em função de obras no EAS e a climatização se dava por intermédio de condicionadores de ar do tipo Split System que apresentam entre as suas características, por exemplo, o fato de não permitir a renovação do ar ambiente por admissão de ar exterior, assim como a manutenção dos diferenciais de pressão adequados entre ambientes adjacentes. Com os resultados laboratoriais, foi possível demonstrar de forma inequívoca à administração da unidade que a solução adotada para o ambiente interno climatizado não era adequada e o projeto havia sido descaracterizado. Assim, os ajustes necessários para que o Fancoil responsável pelo atendimento ao setor fosse posto a operar o mais rápido possível foram executados. Desse modo, as intervenções surtiram efeito resultando em condições normais restabelecidas de qualidade do ar interior e confirmadas por laudo posterior.

Fonte: Baktron

 

2 thoughts on “Entrevista: engenheiro fala sobre manutenção de sistemas de ar condicionado hospitalar

  • Paulo Tavares Conte

    Sou eng. mecânico e fui designado pelo órgão para fazer uma avaliação dos ar condicionados de uma determinada área do prédio. Confesso que nunca trabalhei neste ramo. Assim, gostaria, se possível, de alguma orientação de sua parte.

    Grato pela atenção,

    Paulo

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