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segunda-feira, maio 27, 2024
Controle de pragas

Medidas preventivas para o controle de moscas

A mosca doméstica (Musca domestica) é um inseto tipicamente sinantrópico, ou seja, adaptou-se a viver nas habitações humanas, tendo alimento, água e abrigo em quantidades favoráveis ao seu desenvolvimento.

Apresentam distribuição cosmopolita, em todo o mundo, à exceção dos polos e em grandes altitudes.

Seu ciclo de vida passa por 4 estágios: ovo, larva, pupa e adulto. Os ovos são depositados normalmente em esterco ou matéria orgânica em fermentação, numa profundidade de 8 a 10 mm. Cada fêmea pode depositar cerca de 120 ovos por postura, podendo chegar a 6 posturas. Durante toda a sua vida, uma fêmea pode depositar de 400 a 900 ovos. Dependendo da temperatura, os ovos podem demorar de 8 a 24 horas para a eclosão. As larvas tem o crescimento relacionado à quantidade de alimento ingerido: larvas mal nutridas crescem menos e darão origem a adultos pequenos. Completam seu desenvolvimento entre 3 e 7 dias, transformando-se em pupas, que é um estágio inativo. A pupa deixa de se alimentar enquanto se desenvolve. Essa fase pode durar de 3 a 6 dias. O tempo de vida de uma mosca adulta varia entre 2 a 12 semanas, dependendo das condições de temperatura e disponibilidade de alimentos.

A mosca doméstica busca substrato com elevada quantidade de matéria orgânica em decomposição e em fermentação, como excremento de grandes mamíferos (bois, cavalos, porcos, etc). Também podem depositar seus ovos em excremento humano.

Geralmente as moscas encontradas em áreas urbanas são originadas de focos de criação nas proximidades, como esgotos, terrenos baldios, lixo orgânico, caixas de gordura, fezes de cachorros ou gatos, etc. A dispersão ocorre ao acaso, para locais de maior atratividade em função dos odores levados pelo vento.

A mosca como vetor de agentes patogênicos
A mosca doméstica pode transportar uma série de microorganismos causadores de diversas doenças. Esse transporte se dá pela aderência dos mesmos ao exoesqueleto do inseto, nos pelos que recobrem o corpo, nas pernas e nas peças bucais. Podem abrigar até 100 microorganismos diferentes e podem transmitir cerca de 65.

Dentre as principais doenças causadas pelos microorganismos transportados pelas moscas, tem-se a seguinte distribuição:

  • Doenças provocadas por bactérias: conjuntivite humana, diarreia infantil, lepra, tuberculoses, tifo, disenterias bacilares, cólera humana, etc.
  • Doenças provocadas por vírus: varíola, escarlatina, oftalmia purulenta, etc.
  • Doenças provocadas por protozoários: disenteria amebiana, úlcera de Bauru, certas tripanossomoses animais, etc.
  • Doenças provocadas por vermes: muitas espécies de vermes do homem e dos animais domésticos, cujos ovos ou larvas podem ser transportados pelas moscas quando voam do estrume onde se alimentam para o alimento consumido pelo homem ou animal.

A mosca como responsável por intoxicações e infecções alimentares
As moscas têm por hábito amolecer o alimento de sua preferência, regurgitando o conteúdo estomacal que contem as enzimas que permitirão a mudança da textura do alimento, para depois ingeri-lo normalmente. Com isso, os microorganismos existentes no seu trato digestivo serão expostos diretamente no alimento escolhido, ocasionando sério risco de contaminação.

Além do trato digestivo, as moscas podem disseminar microorganismos pelas peças bucais, pernas e asas. Dessa forma, alimentos expostos por muito tempo, como os de restaurantes “self service” ou a céu aberto, como churrascos, estão perigosamente  suscetíveis a apresentarem contaminação.

As moscas podem também liberar uma variada quantidade de gotas de vômito, dependendo do tipo de alimento que estão ingerindo, espalhando o contágio para vários pontos de alimentação.

Medidas de controle
Existe uma dificuldade em se obter o controle de população de moscas em um determinado lugar apenas com a aplicação de inseticidas líquidos da forma tradicional. Já existem no mercado alguns produtos inseticidas na forma granulada que são colocados em cochos, ou outros que podem ser pulverizados em paredes ou locais de descanso das moscas.

Há também no mercado armadilhas luminosas com placas de cola para captura ou à base de eletrocussão para extermínio, sendo instaladas em pontos estratégicos do estabelecimento. Existem ainda armadilhas instaladas a uma altura de aproximadamente 1 metro do solo, em volta da edificação, contendo em seu interior um líquido atrativo, de aspecto e consistência semelhante ao esgoto, e um dispositivo que captura as moscas atraídas.

Essas medidas tem uma eficácia limitada se no entorno do local a ser tratado apresentam criadouros de moscas, ou se as condições sanitárias e de higienização do imóvel alvo se apresentam precárias.

Medidas preventivas
O controle das moscas está muito mais ligado às ações preventivas de mudanças do ambiente urbano e de conscientização dos funcionários ou do público envolvido.

Dessa forma, a utilização de telas de vedação nas janelas, práticas adequadas de armazenagem e condicionamento do lixo, limpeza das caixas de gordura, capina constante de áreas jardinadas, que podem por vezes abrigar pequenos animais mortos como pássaros ou roedores, a utilização de cortinas de vento na entrada do imóvel, a remoção de material em desuso a céu aberto, limpeza diária nos locais de refeição e preparo dos alimentos, são algumas das medidas que devem ser tomadas para dificultar o aparecimento e reprodução das moscas no estabelecimento.

Bibliografia
– Centro de Vigilância Sanitária – Portaria no. 9 de 16 de novembro de 2000. Norma Técnica para Empresas Prestadoras de Serviço em Controle de Vetores e Pragas Urbanas.

– MARICONI, F.A.M., GUIMARÃES, J.H., BERTI FILHO, E. A Mosca Doméstica e Algumas outras Moscas Nocivas. FEALQ, 1999. 135p.

– SCHULLER, L. As Moscas Domésticas e sua Importância na Transmissão de Intoxicações e Infecções Alimentares. Revista Vetores e Pragas, ABCVP, Rio de Janeiro, ano III, no. 8, 2000. p. 21 – 29.

– ZORZENON, F.J., JUSTI JR., J. Manual Ilustrado de Pragas Urbanas. 1ª. Ed. Instituto Biológico, 2006. pg. 67 e 68.

Francisco Andrade do Carmo Junior – biólogo, técnico responsável da Tecnomad

 

One thought on “Medidas preventivas para o controle de moscas

  • Priscila da Silva reis

    Eu comecei a trabalhar em um estabelecimento de alimentação e os donos e eu estamos preocupados com o excesso de moscas gostaria de saber quem procuro ou como faso para acabar com elas ou pelo menos diminuir elas sem causar mal para o ambiente,os clientes e para o alimento principalmente. O estabelecimento e limpo e bem cuidado e não entendi de onde eles vem. Gostaria muito da ajudas de vcs desde já agradeci. Att Priscila

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