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quinta-feira, fevereiro 29, 2024
Controle de pragas

Medidas preventivas para o controle de baratas

As baratas estão entre os seres vivos mais antigos existentes. Há registros fósseis de cerca de 350 milhões de anos. Há mais de 3.500 espécies no mundo. Cerca de 35 delas vivem em intensa associação com o homem. Essas tem hábitos noturnos, e saem à noite para buscar alimento e água, ou para se acasalarem.

Estão entre os organismos mais resistentes na natureza, podendo ficar até 30 dias sem se alimentar, e até quase 1 semana sem água. Dessa forma, não é difícil imaginar como estão bem supridas com a quantidade de alimento que o meio urbano oferece, na forma de lixo e descarte abundante de alimentos.

Possuem hábitos alimentares diversos, podendo se alimentar de doces, salgados, alimentos gordurosos, peças de roupas, cadáveres, até lixo e material de esgoto.

As baratas podem causar a contaminação de alimentos através do contato com suas fezes, vômitos, baratas mortas e germes patogênicos.

Depois da mosca doméstica, as baratas são os insetos que mais facilmente transportam germes de um local para outro. De acordo com estudos, as baratas podem transportar cerca de 40 bactérias patogênicas diferentes. Podem abrigar também vírus, protozoários, fungos, causando uma série de enfermidades, como conjuntivite, gastroenterites, infecções urinárias, alergias, amebíase, hepatite, entre outras.

Espécies mais comuns
Entre as espécies mais comuns, destacam-se:

1) Barata de cozinha, barata alemã ou francesinha (Blatella germanica)
Apresenta um tamanho de 12 a 16 mm de comprimento, de coloração castanho amarelado. Realiza a postura de ovos dentro de uma estrutura protetora chamada ooteca. A fêmea carrega essa ooteca presa ao abdômen e só é liberada quando o desenvolvimento embrionário está quase terminado. Essa estrutura é muito importante quando se fala em saneamento de um ambiente, pois confere aos ovos uma certa proteção contra inseticidas.

Costumam se abrigar em cozinhas, depósitos de alimentos e embalagens, frestas de guarnições e batentes, fornos, estufas, motores elétricos, dutos de eletricidade, em frestas de azulejos e alvenaria, etc.

2) Barata de esgoto ou cascuda (Periplaneta americana)
Apresentam um comprimento de 30 a 45 mm, sendo de coloração castanha escura avermelhada.

A fêmea realiza a postura da ooteca em frestas ou em locais protegidos. Prefere ir de um local a outro por meio de caminhadas; no entanto, no verão, em noites bem quentes, pode voar.

São encontradas em caixas de esgoto e gordura, caixas d´água, quadros de energia elétrica e telefonia, galerias subterrâneas, cisternas, sanitários, vestiários, etc. São responsáveis pela transmissão de uma série de enfermidades, como a barata de cozinha.

Prevenção
Para um controle preventivo desses insetos em um ambiente, são necessárias medidas que visem limitar o acesso ao imóvel, aos abrigos potenciais existentes, à água e aos alimentos.
1) Acesso: verificar:
– Fechamentos de vãos;
– Presença de telas em janelas;
– Presença de molas para o fechamento automático das portas, bem como de lâminas de borrachas para vedação da fresta inferior (em contato com o piso);
– As condições das áreas externas e se possível da vizinhança (presença de lixões, terrenos baldios, obras paralisadas, etc.) e reforçar as medidas preventivas.

2) Abrigo:
– Providenciar o fechamento de frestas de azulejos e em alvenaria, através do uso de massa de vidraceiro ou silicone;
– Verificar se existem frestas em cantoneiras de gesso ou de madeiras;
– Verificar frestas em lambris e divisórias;
– Realizar inspeção nos forros de gesso e de madeira;
– Verificar o estado das caneletas que protegem a fiação elétrica ou de telefonia;
– Orientar quanto à correta estocagem de materiais (em pallets, de preferência de plástico, afastados pelo menos 30 cm das paredes e entre si);
– Verificar a existência de frestas em guarnições e rodapés;
– Verificar se as borrachas de vedação das portas de geladeiras estão bem fixadas, sem frestas.

3) Atração e proliferação:
– Verificar a presença de quaisquer vestígios de baratas, principalmente fezes, ootecas, pedaços de asas ou pernas;
– Verificar a limpeza adequada de paredes, coifas, fogões, evitando superfícies engorduradas;
– Verificar a higienização frequente (e obrigatória) dos reservatórios de água;
– Providenciar a limpeza das caixas de gordura e esgoto;
– Providenciar a substituição de superfícies de madeira em cozinhas, depósito de alimentos, etc.;
– Providenciar a higienização do sistema de exaustão.

Francisco Andrade do Carmo Junior – biólogo, técnico responsável da Tecnomad

Bibliografia
CVS 9 – Portaria no. 9, de 16 de novembro de 2000 – Norma Técnica para Empresas Prestadoras de Serviço em Controle de Vetores e Pragas Urbanas
FIGUEIREDO, L.R. O Homem no Planeta das Baratas. Revista Vetores e Pragas. Rio de Janeiro, no. 14, p. 16 – 18, Setembro 2004.
HAHNSTADT, R.L.. Alergia às Baratas – Um Novo Vilão entra em Cena. Revista Vetores e Pragas. Rio de Janeiro, no. 4, p. 36 – 39, 1º trimestre de 1999.
MARICONI, F.A.M. As Baratas. Em MARICONI, F.A.M. (coord.). Insetos e outros Invasores de Residências. Piracicaba: FEALQ, 1999. V.6, p. 13 – 34
ZORZENON, F.J., JUSTI JR., J. Manual Ilustrado de Pragas Urbanas. 1ª. Ed. Instituto Biológico, 2006. pg. 7 – 12.

 

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